3 de abr. de 2010

Conversas sobre conversas

Em fevereiro, Índia e Paquistão efetuaram uma reunião com a intenção de debater sobre a região da Caxemira. É a primeira reunião entre os dois países em 15 meses desde os atentados a Mumbai, na Índia, que matou 173 pessoas. A Índia acusa o Paquistão de abrigar os militantes do grupo Lashkar-e-Taiba que fizeram o ataque.

Declarações de ambos os países mostram uma aparente satisfação, onde houve uma “boa química entre as delegações” e que se espera “um resultado positivo” em diminuir as divergências.

Mas apesar dessas declarações, analistas acreditam ser apenas o resultado de pressões por parte dos Estados Unidos para a retomada de conversas entre os dois países e a diminuição das tensões enfrentadas por eles, e há bastante ceticismo para possíveis encontros futuros.

Acredito que realmente o ceticismo esteja certo, mas não discordaria caso sugerissem que essas pressões se mantivessem, afinal, a tensão entre os dois países já resultou em três guerras, e hoje como ambos os países possuem armamentos nucleares, uma nova guerra poderia ter conseqüências catastróficas em uma região já instável e que possui presença norte-americana que tenta “estabilizar” a região por seus próprios meios.

Guilherme Rodrigues Miranda

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/02/100225_indiapaquistaofn.shtml

Indonésia confirma morte de um dos terroristas mais procurados da Ásia

O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, confirmou a morte de Dulmatin, dirigente da organização extremista Jemaah Islamiya e suposto criador das bombas usadas no ataque de Bali em 2002, causando a morte de 202 pessoas. Foi baleado em uma operação antiterrorista nos arredores de Jacarta.

A tentativa de combate ai terrorismo está por toda a parte. Os Estados lutam contra estes grupos, mas parece que eles estão cada vez mais se expandindo pelo mundo. Nos últimos anos a Força de Segurança da Indonésia matou ou deteve mais de 400 suspeitos de terrorismo.

Os Estados Unidos ofereciam U$$ 10 milhões como recompensa por Dulmatin.

A organização Jemaah Islamiya é aliada da al-Qaeda e foi criada em 1995. Seu objetivo é estabelecer um estado islâmico na Indonésia, Malásia e no sul de Filipinas e Tailândia.

Rafaela Billig Dalla Vechia

Fonte: www.g1.globo.com



2 de abr. de 2010

China, Irã e Brasil e a questão nuclear

O começo da mudança de posição da China em relação às sanções ao Irã se deve ao fracasso da mais recente tentativa chinesa e russa de convencer o governo iraniano a aceitar a propasta idealizada em outubro, que previa que o Irã enviaria seu urânio levemente enriquecido à Rússia e à França e receberia de volta urânio enriquecido na proporção necessária para uso médico, que os iranianos dizem ser a finalidade de seu programa nuclear. Do ponto de vista ocidental, se anularia a chance de o Irã conseguir urânio enriquecido na medida necessária para a bomba.
Para a China as sanções que não sejam "paralisantes" [da economia iraniana] são aceitáveis. Para os EUA, trata-se de um sinal político altamente positivo, na medida em que mostraria o isolamento do regime iraniano.A mudança de posição chinesa, se confirmada terá implicações diretas para a diplomacia brasileira. Porque a China e o Brasil vinham tendo idêntica posição: ainda há espaço para o diálogo e, portanto, não é o tempo para punições.E porque o diálogo que o Brasil mantém com Teerã gira exatamente em torno da proposta que os chineses e os russos levaram de novo ao Irã só para vê-la rejeitada.
Em um encontro entre autoridades brasileiras e iranianas, em janeiro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, discutiu com seu colega Manoucher Mottaki "tempos e quantidades" da troca de urânio iraniano. Se essa discussão está vencida o Brasil mais cedo ou tarde terá que repensar a sua posição.

1 de abr. de 2010

Futebol resgata jovens da guerra

Uma ação humanitária na Caxemira, uma das regiões mais perigosas do mundo, procura afastar crianças do conflito que há mais de cinco décadas castiga a população. A líder desse projeto, é a brasileira Priscila de Tróia, a qual icentiva os garotos a ter um futuro melhor por meio do futebol. No dia 31 de março dois jovens da Caxemira desembarcaram do Brasil para jogar pelo Marília. Ainda neste ano o filho de um rebelde considerado terrorista pelo governo da India poderá ser recebido pelo Santos. A saída dos garotos da região se transformou em um debate político nacional, com repercussões que extrapolaram o noticiário esportivo.
O projeto nasceu em 2006, depois que Priscila e seu marido Juan Marcos , que já viviam na Índia, passaram pela região da Caxemira e observaram que os meninos da região eram loucos por futebol; ao contrário do resto da Índia, onde o cricket (esporte parecido com o basebol) predomina como a modalidade favorita.

A Caxemira é considerada uma das regiões mais violentas do mundo. A guerra entre Índia e Paquistão já deixou milhares de vítimas e o local é um dos mais militarizados do planeta.
Porém, a brasileira Priscila e seu esposo Juan, perceberam que esse desafio não seria fácil, pois, no primeiro mês de trabalho, seu esposo foi espancado por militares indianos, na suspeita de que ele era um espião ou estaria trabalhando com algum objetivo obscuro.
Na realidade, a meta dos indianos é evitar que qualquer sentimento de nacionalismo da Caxemira seja incentivado; O temor é que o movimento em prol da independência da região ganhe força por intermédio do futebol. A iniciativa de levar jogadores dali para o exterior, portanto, foi recebida inicialmente com desconfiança pelas autoridades. Pouco a pouco, as autoridades entenderam que o objetivo era apenas o de manter as crianças nos campos e não deixar que caíssem nas mãos de rebeldes.

Contudo, esta é uma das maiores iniciativas sociais da Caxemira. Mas a vida não é fácil!
Para chegar aos campos, muitos precisam passar por zonas de conflitos entre população e militares. Segundo Priscila, "Quando eles entram no gramado, esquecem do mundo e apenas querem ser grandes estrelas"
Hoje, este projeto é financiado com a ajuda de patrocinadores e o governo brasileiro facilitou a emissão dos vistos aos garotos. O Itamaraty admite que a iniciativa tem contribuído para a imagem do Brasil na região.


Daniane Afonso

Dificuldades na reorientação da política externa Japonesa

Se um dos lemas do novo partido no poder japonês(PDJ) é o de desenvolver estratégias de política externa pró-ativa depois de muito tempo de relativa apatia, agora não parece o melhor momento para isso. O Japão acordou novamente com a notícia de queda de 0,9% da produção industrial, pela primeira vez em um ano, quando já estava-se especulando uma possível recuperação, a preocupação de recessão nesse trimestre que vem pela frente se mostra cada vez mais fundada.

Depois da II Guerra Mundial, o Japão concentrou seus esforços para recuperar sua economia e foi se destacando cada vez mais no cenário internacional. Porém, no quesito político, sua participação sempre foi limitada, até mesmo pelo pouco interesse japonês, logo, a sua relevância no contexto global, foi-se demarcando por sua forte economia.

Tendo em vista esse ponto, pode-se perceber a dificuldade que o Japão terá em se inserir nesse momento com uma política externa pró-ativa, mesmo nas questões asiáticas, já que a China está ocupando o lugar de gigante econômico, e não só econômico, pois se antes o Japão era um incontestável parceiro dos Estados Unidos, agora com a política do PDJ as coisas podem tomar um rumo de afastamento, justamente no momento em que, desde a entrada de Barack Obama, as relações sino-americanas se reorientaram para uma maior aproximação. Durante o primeiro mandato de Obama já houveram 3 visitas ao presidente chinês Hu Jintao, além do acordo em estabelecer um pleno relacionamento de cooperação, em sinal disso ocorreu em Julho de 2009 o "Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China". Isso se reflete nas relações econômicas também, segundo os dados da U.S Census Bureau as importações norte-americanas de produtos chineses superaram a importação dos produtos japoneses em 2008, de 1990 até 2008 os produtos exportados chineses para os EUA passaram de 3,1% para 16,8%, já a participação japonesa diminuiu de 18,1% para 6,6%. O mesmo ocorre com a exportação norte-americana para esses países, a China representava antes 1,2% das exportações totais dos EUA e passou para 5,4%, em contrapartida o Japão reduziu de 12,3% para 5,1% no mesmo período.
No contexto econômico mundial, os dados não estão muito melhores. De acordo com os dados do FMI, em 2000 a participação japonesa no PIB Mundial era de 14,5%, caindo para 8,1% em 2008. Nesse mesmo tempo a participação chinesa subiu de 3,7% para 7,1%, com perspectivas de se igualarem ainda esse ano.
Diante de todos esses dados, podemos concluir que o Japão terá que reorientar não só a sua política externa, mas também o seu foco.