1 de abr. de 2010

Dificuldades na reorientação da política externa Japonesa

Se um dos lemas do novo partido no poder japonês(PDJ) é o de desenvolver estratégias de política externa pró-ativa depois de muito tempo de relativa apatia, agora não parece o melhor momento para isso. O Japão acordou novamente com a notícia de queda de 0,9% da produção industrial, pela primeira vez em um ano, quando já estava-se especulando uma possível recuperação, a preocupação de recessão nesse trimestre que vem pela frente se mostra cada vez mais fundada.

Depois da II Guerra Mundial, o Japão concentrou seus esforços para recuperar sua economia e foi se destacando cada vez mais no cenário internacional. Porém, no quesito político, sua participação sempre foi limitada, até mesmo pelo pouco interesse japonês, logo, a sua relevância no contexto global, foi-se demarcando por sua forte economia.

Tendo em vista esse ponto, pode-se perceber a dificuldade que o Japão terá em se inserir nesse momento com uma política externa pró-ativa, mesmo nas questões asiáticas, já que a China está ocupando o lugar de gigante econômico, e não só econômico, pois se antes o Japão era um incontestável parceiro dos Estados Unidos, agora com a política do PDJ as coisas podem tomar um rumo de afastamento, justamente no momento em que, desde a entrada de Barack Obama, as relações sino-americanas se reorientaram para uma maior aproximação. Durante o primeiro mandato de Obama já houveram 3 visitas ao presidente chinês Hu Jintao, além do acordo em estabelecer um pleno relacionamento de cooperação, em sinal disso ocorreu em Julho de 2009 o "Diálogo Estratégico e Econômico EUA-China". Isso se reflete nas relações econômicas também, segundo os dados da U.S Census Bureau as importações norte-americanas de produtos chineses superaram a importação dos produtos japoneses em 2008, de 1990 até 2008 os produtos exportados chineses para os EUA passaram de 3,1% para 16,8%, já a participação japonesa diminuiu de 18,1% para 6,6%. O mesmo ocorre com a exportação norte-americana para esses países, a China representava antes 1,2% das exportações totais dos EUA e passou para 5,4%, em contrapartida o Japão reduziu de 12,3% para 5,1% no mesmo período.
No contexto econômico mundial, os dados não estão muito melhores. De acordo com os dados do FMI, em 2000 a participação japonesa no PIB Mundial era de 14,5%, caindo para 8,1% em 2008. Nesse mesmo tempo a participação chinesa subiu de 3,7% para 7,1%, com perspectivas de se igualarem ainda esse ano.
Diante de todos esses dados, podemos concluir que o Japão terá que reorientar não só a sua política externa, mas também o seu foco.