O Tratado de Segurança entre os Estados Unidos e o Japão, iniciado há mais de 50 anos foi o motivo da renúncia do primeiro-ministro Yukio Hatoyama (Partido Democrata do Japão) em menos de nove meses no poder, no dia 2 de junho de 2010. O fracasso de Hatoyama já poderia ser previsto. Retirar as bases norte-americanas de Okinawa significaria diminuir a dependência japonesa do poder militar dos Estados Unidos. Com a atual Constituição (adotada em 1947), o arquipélago se vê preso aos Estados Unidos. Se, durante a época “isolacionista” da política externa norte-americana após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos evitavam criar alianças que freassem a atuação do país, o Japão já se encontra nessa situação, porém em grande desvantagem.
A população de Okinawa tinha grandes expectativas em Hatoyama, já que foi um dos primeiros políticos que levaram à Tóquio propostas em prol da ilha, um território que abrange cerca de 1% da população japonesa ainda discriminada entre a população geral do Japão, e aproximadamente 75% das Forças militares norte-americanas. Porém, o Japão não possui nenhum tipo de defesa contra ameaças nucleares, que atualmente constituem suas principais ameaças. As Forças de Autodefesa são capazes de defender o país de ataques convencionais, neutralizando-os, todavia, no caso de ameaças nucleares, os Estados Unidos são fundamentais para a segurança do arquipélago. O erro fatal de Hatoyama foi acreditar que a retirada das bases de Okinawa seria possível, e também fazer dessa política a sua principal promessa eleitoral. Após declarar que não pôde cumprir sua promessa, o político perdeu apoio do Partido Social Democrata. No desfecho da situação, Hatoyama gerou desconfiança entre os japoneses e aos norte-americanos.
Hatoyama decidiu deixar o cargo, pois alegava ter perdido a confiança do povo após ceder em relação às bases em Futenma. Sua popularidade estava abaixo de 20%. Deixou o cargo para não piorar a imagem de seu partido, que concorrerá nas eleições para a câmara alta do Parlamento em julho desse ano.
Fonte: Por Paulo Daniel Watanabe - Boletim Mundorama